segunda-feira, 21 de junho de 2010

Será ?

-Diga-me cérebro, qual caminho devo seguir ?
E cinco túneis são iluminados pelo cerébro.
-Mas há tantos, por qual devo ir ?
E os cinco túneis continuam acessos.
-Estou vendo. Nas paredes dos túneis vejo diferentes situações, vejo números e preocupações, felicidades e contentações, mas nada me agrada, apenas me iludem para que pareçam o caminho certo.
-E são, meu amigo, esses são os caminhos que te indico, e os motivos você verá em cada um. Todos são reais, mas não lhe ofereço mais nada, apenas a realidade crua e fria.
-Então como indica-me um caminho sem sonhos ? Um caminho sem vida, apenas artificial ?
-Não, não se engane, há sonhos em meus caminhos, sonhos que se tornam realidades e verdades, mas são sonhos comuns, sonhos insípidos. Não há a esperança, apenas a verdade, a aconchegável e segura verdade.
-Esses caminhos são tentadores, há vida neles, mas não a vida que quero para mim, a vida que não tenho certeza se terei.
-Sim amigo, é verdade isso, mas o mundo é real e a vida é mais real do que parece, por isso não deve arriscar tudo por um sonho, ao invés de seguir com segurança um caminho com uma vida tranquila.
-Agora entendo. Seus caminhos me atraem para o mundo real. O que farei ? Desejo ser um sonhador, mas desejo ainda mais ser algo real.

-Estou perdido, não sei o que faço...

E esse ser, parado em seus próprios questionamentos, cochichava para si, a seguinte frase:
-Qual será o certo ? Qual será... ?

Qual

-Diga-me coração, onde devo ir ?
E bate o coração três vezes.
-Por aqui ?
E bate o coração três vezes.
-Gosto daqui... Mas porque não por ali ?
E bate o coração três vezes na mesma direção.
-Você prefere aqui, né ? Mas veja, há outro caminho, porque não ir por lá ?
E bate o coração três vezes na mesma direção.
-Eu falo a língua dos homens, chega de batidas e dê-me respostas !
E dessa vez o coração não bate nenhuma vez.
-Deixe-me entender porque ir por aqui e não por ali, estou perdido !
Mas continua o coração sem bater, e sem dar explicações.
E esse frustado ser, agora confuso também, se recorda de inúmeras vezes em que o coração acertara o caminho, mesmo sem dar-lhe explicações, e de outras inúmeras em que ele errara, e continuou sem dá-las.
Se recorda também, de não se recordar de alguma explicação do amigo, nunca ouvira nada além de batidas.
Apaixonara-se toda vez pelos caminhos indicados pelo inocente amigo, amara com dez vezes mais paixão os caminhos certos,e se arrependera cem vezes mais nos caminhos errados.
-Agora entendo. Esse seu caminho nada mais é que instinto. O que farei ? Temo me aventurar em jogos de azar, e temo ainda mais perder oportunidades.

-Estou perdido, não sei o que faço...

E esse ser, parado em seus próprios questionamentos, cochichava para si, a seguinte frase:
-Qual será o certo ? Qual será... ?

Paixão secreta.

Eu sei a palavra, eu sei a resposta para tudo.
Essa palavrinha, silenciosa e mortal. Sublime. Profana. Corruptora. Absoluta.

Fujo dela, mas sempre com passos pequenos, para não perdê-la de vista, pois um dia posso vir a precisar.

Não há um dia sequer em que ela não me venha a mente, um dia sequer sem que ela me esnobe, um dia sequer sem que ela me chame para a cama, onde teremos nossa primeira noite de núpcias, primeira e última. Cruel sedutora de olhos negros, pare de me tentar, pois sinto uma incontrolável vontade de te abraçar, tão grande como o prédio em que te encontrarei.
Não quero, mas entro em conflito, não há histórias boas de quem à encontrou, e mesmo assim sou seduzido, e conduzido lentamente para mais perto dela.
Agora mesmo, enquanto escrevo a metros e metros de altura, sinto o formigamento suave e gelado de seu toque em meu ombro, viro-me e a palavra aponta para a janela com grades desaparafusadas.

Até agora ainda não nos beijamos, mas não sei quanto tempo nos resta até o fim. Estará ele mais próximo do que espero ? Ou para minha surpresa, estará ele distante, tão distante que não consigo vê-lo chegar ?

Triste vítima que sou de tua profunda e grave voz, e alegre testemunha de sua grandiosidade e certeza. Ou seria ao contrário ?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Guerra

Estou no meio de uma guerra, mais perdido que cego em tiroteio. Na verdade mais perdido que um aleijado em tiroteio. Mais na verdade ainda, estou mais perdido que qualquer ditado possa expressar.
Essa guerra vai ter fim, e eu não gostarei desse fim, na verdade eu posso muito bem escolher quando será o fim, mas por medo decido por nada.

Estou cheio de verdades, não é? Mas esse é o ruim, as verdades. Você pode viver uma ilusão, e tudo ser belo e você ser famoso e a vida ser vivída. Mas a verdade te trai, pior que uma cascavél, pior que uma apunhalada nas costas dada friamente pelo seu melhor amigo, pior que qualquer coisa na vida, e muito provável também que na morte.
Eu sempre fui medroso, e não consigo encarar essa palavra, que bem grande e estampada na minha cara, me lembra a todo segundo que respiro que tenho que escolher algo de verdade, e tenho que sair do mundo imaginário onde sou tudo.

É, eu sou tudo, mas a minha cabeça está uma bagunça... É lá que ocorre a guerra, e os combatentes são vários, tão variados que não há como dizer quais são, pois tem alguns que nem sei de que lado estão. Venho sendo bombardeado por Baudelaire, Audoux, Fernando, mafiosos e pianistas que me enchem de palavras que, dizendo eles, me ajudarão a vencer a guerra. Mas também sou fuzilado por Tims Burtons, Woodys Allens, Tarantinos e tantos outros cabeças que não sei o nome, que me enchem de imagens e cenas inesquecíveis, e garantem à minha pessoa que esse pode ser o triunfo final que estou esperando para que essa guerra intermínavel cesse. Porém há também as lapeadas cruéis e sem piedade, cheias de redundâncias, de Jotas, Erres, Cês, e melodias tocadas pelos açoites ao acertarem em cheio meu crânio que parece viajar para outro lugar a cada nota emitida pela dolorosa zumbada que o terrível chicote musical emite, e é horrível pois sabem que nunca serei capaz de imitá-los e esse o porquê de tanto escárnio acompanhando essa dor alumbrante que sinto ao deparar-me com esse grupo, e a ironia logra do poder que exerce sobre mim para que eu saboreie ainda mais esse miraboalnte grupo.

O término precoce da vida aparece para mim não como solução, mas como refúgio, um meio de escapar dessa guerra para sempre. Mas apesar de medroso, nunca fui de fugir de minhas batalhas, então essa fuga passa longe de minhas possíveis soluções.

E fora de minha cabeça, nessa marmórea vida que se segue a cada dia, minha guerra infinda nada mais é que uma minúcia de adolescente, uma fase que todos passam. Mas porque então, para mim está sendo tão díficil trespassar por essa linha imaginária, que separa os pífios dos magnos ?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O massacre

Em um grande país, localizado perto de Londres, estava a maior concentração de pessoas que protestavam contra o mundo.

E foi-se assim, durante meses, até o país quase completar um ano, quando um país que era altamente conhecido por manter o mundo saudável, disse que o país do protesto precisava ser exterminado porque não era higiênico o suficiente, apesar de quase não haver doenças no país.

Mas tudo continuou igual por algumas semanas, já que o país, de tanto protestar, conseguiu convencer o mundo de que ainda tinha tempo. Porém chegara o dia, o dia em que o país com nome de besouro mandara um exército imbatível, formado apenas pelos melhores soldados, maquinamente alhinhados com perfeição, que destruiria tudo e todos do país do protesto. Ninguém estava a salvo. Tudo acabaria naquele dia.

Os poucos que sobraram e foram presos, contam com um plano, um último ás na manga, um plano que promete dentro de poucos meses trazer o país de volta e contra-atacar com tudo.

Apenas o que restava no país depois desse grande ataque era uma população pobre, que de protesto já não conhecia mais nada, pois agora a vida era apenas uísque e Janis Joplin.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Amaldiçoado

Desde o ínicio dos tempos, algo sempre assombrou a mente de algumas poucas pessoas, uma terrível maldição, que recebe muitos nomes. E para a "sorte" dos outros, eles foram abençoados, quase a maioria das pessoas. Na atual geração então, se já não é 90%, daqui a uns anos vai ser 99.

Na verdade, os amaldiçoados nunca se consideraram como tais, acham na verdade que a verdadeira bênção é a maldição que a eles foi dada, e já os abençoados, nunca nem ligaram para suas condições, ja que ao ouvirem uma palavra de boa conotação acham q ta td ok e fica por isso msm.

Como Raul já dizia: "Queria ser abençoado, assim não sofria tanto"

A questão é: O mundo inteiro vai ficar uma maravilha, Cheio de pessoas abençoadas, poucos amaldiçoados(e esses não vão conseguir interferir na grande muralha que proteje as cabeças dos abençoados), e cada vez mais essa bênção vai aumentando sua força, assim sendo quase impossível o mundo cair na maldição outra vez,(porque a alguns anos atrás, grande parte do mundo estava amaldiçoada), e foi graças a poucos abeçoados, entre eles pode-se dizer que tinha um rato, que o mundo se livrou dessa praga e caminha cada vez mais rápido para para a bênção total.

A bênção é justamente não ter que se preocupar com nada, pois tudo funciona perfeitamente para essas pessoas.
Já os amaldiçoados tem que se preocupar muito com assuntos que nem sequer passam perto das cabeças dos abençoados,(porque não entendem como alguém pode perder tanto tempo para pensar algo de sem a mínima importância, e justamente por isso que os abençoados ridicularizam bastante os amaldiçoados) e ainda ficam frustados pois não conseguem contaminar os abençoados.

Eu ja fui um abençoado, uma pessoa me disse que desde pequeno eu carregava um pouquinho da maldição, mas estava escondida la no fundo, e veio a surgir há algum tempo atrás, e é realmente uma merda no ínicio, uma grande merda, mas depois você se acostuma a conviver com essa maldição, porque uma vez amaldiçoado, nunca mais você pode voltar a ser um dos outros, nem querendo.

Então é isso aí, abençoados de todo o mundo, continuem assim, pois melhor não podia ficar.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A GRANDE Vitória

Por volta das 23:40, 23:50, resolvi voltar para casa, pois estava ficando tarde e meu amigo morava a uns 10 - 15 minutos. Saí apressado como a impontualidade me ensinara, mas depois desacelerei como outra amiga me ensinara. Comecei a observar o quão diferente estava o mesmo caminho em que sempre voltei. Parei no lugar marcado no mapa, e esperei ansioso o que procurei pelos ultimos meses, enquanto dois jovens de mais ou menos 200 meses saíram de uma mesa, mas não sem antes o mais novo dizer 13 vezes a palavra "deixa" para a asiática que era a dona ali. Meu desejo estava quase me nocauteando, quando saiu meu tão esperado ------. Estavamos saindo, quando vimos um homem com barriga de chop, levemente bêbado e com camisa do flamengo na mão sambar em frente ao amigo. Ele era o dono do moto taxi ali em frente. O brasileiro verdadeiro. Em nossas mãos estava o tão ansiado ------. Eu acho que por causa de nosso desejo avassalador não tomamos susto quando duas gêmeas idênticas passaram bem na nossa frente numa bicicleta de dois bancos. Suspeitava também, que alguém nos seguia a um tempo. Começamos a correr para a salvação, e talvez por isso não nos surpreendemos com o gato na cadeira de rodas levada pelo velho. Estava correndo, mas o sujeito nos alcançou. Só que agora não era mais nós. O ladrão havia chegado tarde demais. Acabara de botar em minha boca o ultimo pedaço de X-tudo do mundo. Ha. Eu ganhei. A vitória foi minha, mesmo que o ladrão vindo em minha direção com o soco inglês não saiba.